The artist

Daniel Silva Gomes, Bachelor of Arts UFBA- Universidade Federal da Bahia -Brazil, artist, with several group exhibitions in galleries, salons and Art Biennial in Brazil since 1979, being Awarded in some. Coordinator of Artistic and Cultural Movements. A nice guy and very happy with life.

sábado, 30 de abril de 2011

Modinha (Seresta n° 5) Heitor Villa Lobo Manduca Piá

Na solidão da minha vida

Morrerei querida

do teu desamor,

muito embora

me desprezes

te amarei constante

sem que a ti distante

chegue a luz

de triste voz do trovador.

Feliz te quero

mas se um dia

toda essa alegria

se mudasse em dor,

ouvirias do passado

a voz do meu carinho

repetir baixinho

meiga e triste

confissão do meu amor.

sábado, 23 de abril de 2011

O sonho

Depois que a rua ficou vazia, ficamos sós, olhávamos para os lados e nada víamos, as casas e as janelas estavam fechadas, sabíamos que nos observavam, mas nós não os víamos, não tínhamos medo apenas caminhávamos pela rua, de repente vimos distante uma luz, uma luz intensa, brilhante, e caminhamos em direção àquela luz, quanto mais caminhávamos mais ela se afastava, era com se quisesse nos tirar daquela zona de perigo, mas não sentíamos medo. Não sei quanto tempo caminhamos apenas caminhávamos, não sentíamos sede, fome nem cansaço, talvez porque não tínhamos pressa de sair dali, ou porque caminhávamos devagar, não olhávamos para trás era como se caminhássemos para sempre numa noite eterna seguindo uma luz eterna, que nunca se acabasse, a rua era eterna as casas eram eternas tudo era eterno...

Daniel Silva Gomes

O Pipoqueiro (a órfã)

Mauro se lembra bem da primeira vez que ela olhou para ele, ela passava de mãos dadas com alguém, era uma mão jovem feminina e ela sorria e andava alegremente, usava uma farda de escola infantil, o primeiro olhar foi tímido, nos outros dias só o olhava, depois de uma semana ela sorria.

Todos os dias exceto sábado e domingo ela passava e o olhava e sorria. Num dia ele notou que a mão que a segurava era uma mão negra e ela não sorria mais, apenas o olhava, era uma mão apressada, sem o calor da mão branca e jovem, tinha dias que ela passava de mãos dadas com uma mão branca e enrugada, o olhar era calmo e distante, a mão branca jovem não estava mais com ela, uma vez havia uma mão branca masculina e ela interagia sorria de modo tímido, mas sorria.

O inverno passou, a primavera encheu a praça de flores e mesmo assim ela pouco sorria, seus olhos não tinha mais o sorriso que acompanhava a mão branca jovem.

Chegou o verão e ela passou só uma vez na praça e olhou para Mauro, apenas sorriu.

Um domingo no fim da tarde ela chegou com uma mão branca enrugada feminina e pediu: moço me dá um saco de pipocas! Mauro ouviu pela primeira vez a sua voz.

No outro ano Mauro continuava lá vendendo pipocas, mas ela já não passava... eram outros os olhos outras mãos outros sorrisos e a praça continuava: outonando, invernando, primaverindo e veranando.

Daniel Silva Gomes

O notívago


À noite Feliciano saía vagava nas ruas, andava nos becos corria dos cães, pisava nos ratos, assustava-se com os olhos dos gatos, a lua o cobria as estrelas o seguia, ele sorria sozinho, olhava os olhos dos notívagos, depois ia ao cemitério olhava as covas e ali amanhecia.

Voltava para casa saciado de aventuras e descansado, tomava um banho ia para o trabalho. Chegava todo dia no mesmo horário, dava bom dia a todos, sentava-se em sua mesa, ligava o computador, e começava a rodar o mundo em busca de informações sobre a bolsa de valores, valor do dólar, mercado futuro.

Almoçava todo dia no mesmo restaurante, comia frango grelhado com salada e um pouco de arroz, tomava a mesma água mineral, saia do restaurante com o mesmo sorriso.

Suas tardes eram lentas e cálidas, às dezessete horas e trinta minutos, desligava o computador, saia do escritório feliz como havia chegado, caminhava até sua casa.

Em casa Feliciano mudava... as paredes o assustava, a luz da noite chegando o carregava de angustias, a TV não amainava sua tristeza, os quadros na parede, os moveis, os tapetes, a cama o sofá o aprisionava.

Parado no meio da sala Feliciano pensava por que não havia um dia eterno com o sol brilhando para sempre... sem casa e sem a solidão do quarto.

Trocava de roupas e saia... vagava...vagava...vagava... dormia no cemitério e o outro dia era radiante.

Daniel Silva Gomes

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um desconto de fadas


A lua estava linda e ela de vestido azul esvoaçante com colar de perolas e uma linda tiara de diamantes passeava com ele, lindo louro alto atlético um colosso de homem, os dois haviam saído da Ferrari vermelha dele, e a musica do baile ainda estava nos ouvidos dos dois apaixonados, de repente o relógio da igreja bate as doze badaladas da meia noite, e ele se transforma em um sapo e pula no lago da praça e desaparece, tudo desaparece de repente...

No outro dia as pessoas que iam pro trabalho ao passar pela praça via aquela desolada moça beijando todos os sapos que encontrava.

Daniel Silva Gomes

sábado, 9 de abril de 2011

Por que Danbergé

A idéia do nome vem dos célebres ovos Fabergé , resolvi de forma humorada utilizar meu apelido Dan .
No ano passado recebi um ovo de avestruz presente de uma aluna: Lislei e queria enfeitá-lo, e o fiz pintando-o com tinta acrílica, e apliquei folhas de ouro e prata, e usei como figura decorativa abstrações que venho realizando desde a década de setenta em meus trabalhos.
Daniel S. Gomes