À noite Feliciano saía vagava nas ruas, andava nos becos corria dos cães, pisava nos ratos, assustava-se com os olhos dos gatos, a lua o cobria as estrelas o seguia, ele sorria sozinho, olhava os olhos dos notívagos, depois ia ao cemitério olhava as covas e ali amanhecia.
Voltava para casa saciado de aventuras e descansado, tomava um banho ia para o trabalho. Chegava todo dia no mesmo horário, dava bom dia a todos, sentava-se em sua mesa, ligava o computador, e começava a rodar o mundo em busca de informações sobre a bolsa de valores, valor do dólar, mercado futuro.
Almoçava todo dia no mesmo restaurante, comia frango grelhado com salada e um pouco de arroz, tomava a mesma água mineral, saia do restaurante com o mesmo sorriso.
Suas tardes eram lentas e cálidas, às dezessete horas e trinta minutos, desligava o computador, saia do escritório feliz como havia chegado, caminhava até sua casa.
Em casa Feliciano mudava... as paredes o assustava, a luz da noite chegando o carregava de angustias, a TV não amainava sua tristeza, os quadros na parede, os moveis, os tapetes, a cama o sofá o aprisionava.
Parado no meio da sala Feliciano pensava por que não havia um dia eterno com o sol brilhando para sempre... sem casa e sem a solidão do quarto.
Trocava de roupas e saia... vagava...vagava...vagava... dormia no cemitério e o outro dia era radiante.
Daniel Silva Gomes