Mauro se lembra bem da primeira vez que ela olhou para ele, ela passava de mãos dadas com alguém, era uma mão jovem feminina e ela sorria e andava alegremente, usava uma farda de escola infantil, o primeiro olhar foi tímido, nos outros dias só o olhava, depois de uma semana ela sorria.
Todos os dias exceto sábado e domingo ela passava e o olhava e sorria. Num dia ele notou que a mão que a segurava era uma mão negra e ela não sorria mais, apenas o olhava, era uma mão apressada, sem o calor da mão branca e jovem, tinha dias que ela passava de mãos dadas com uma mão branca e enrugada, o olhar era calmo e distante, a mão branca jovem não estava mais com ela, uma vez havia uma mão branca masculina e ela interagia sorria de modo tímido, mas sorria.
O inverno passou, a primavera encheu a praça de flores e mesmo assim ela pouco sorria, seus olhos não tinha mais o sorriso que acompanhava a mão branca jovem.
Chegou o verão e ela passou só uma vez na praça e olhou para Mauro, apenas sorriu.
Um domingo no fim da tarde ela chegou com uma mão branca enrugada feminina e pediu: moço me dá um saco de pipocas! Mauro ouviu pela primeira vez a sua voz.
No outro ano Mauro continuava lá vendendo pipocas, mas ela já não passava... eram outros os olhos outras mãos outros sorrisos e a praça continuava: outonando, invernando, primaverindo e veranando.
Daniel Silva Gomes
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